Em partida válida pela
segunda fase da Copa do Brasil, o chamado jogo de ida, o Bahia entrou em campo,
no estádio Olímpico em Belém do Pará, para enfrentar o Clube do Remo.
Cercado de expectativas, o
Tricolor que tinha até a possibilidade de eliminar a partida de volta, se houvesse
vencido com placar a partir de dois gols de diferença, acabou perdendo por 2x1
forçando a partida de volta em Pituaçu dia 19/04 às 19h30min.
BOM PRIMEIRO TEMPO
O jogo começou, com o Bahia
desenvolvendo o futebol que é a marca da era Falcão. Com a Marcação adiantada,
posse de bola, jogadas rápidas, sobretudo no lado direito com Gabriel, o
tricolor quase que encurralou o time do Remo, que saía esporadicamente na base
dos lançamentos.
Porém, em uma dessas saídas,
contando com a ajuda do árbitro, que marcou pênalti, em uma bola que bateu
claramente no peito de Madson, e não na mão como assinalou o amazonense, o Remo
abriu o placar através do jogador Fábio Oliveira.
Mesmo saindo atrás, o Bahia
não se abateu e continuou com o mesmo futebol rápido e envolvente do início do
jogo, com marcação adiantada e toques rápidos.
Desta forma, se impondo em
campo, o tricolor não demorou a empatar o jogo. Diones, que fazia boa partida,
ganhou disputa no meio, e a bola sobrou para Gabriel. O garçom tricolor na temporada,
com maestria, cruzou a bola na cabeça de Diones, que empatou o jogo.
Após o gol de empate, o
Bahia voltou a ter chances, algumas claras, e por incompetência e falta de
qualidade técnica de alguns jogadores na hora de finalizar, como Lulinha e
Ciro, por exemplo, o Bahia não saiu vencedor da primeira etapa.
SEGUNDO TEMPO: BOM COMEÇO,
PÉSSIMO DESFECHO
O Bahia voltou para o
segundo tempo sem o mesmo ímpeto do primeiro, mas, mesmo assim, teve duas boas
chances de passar à frente no placar, com Lulinha e Morais ambos fazendo
jogadas individuais, mas chutando em cima do goleiro.
Apesar das duas chances de
gol, o Bahia não era o mesmo, muito pelo contrário. O Remo que voltara com
muita vontade, indo para cima do Esquadrão, encontrou um Bahia apático, que
assistia o adversário crescer no jogo, mesmo que na base da empolgação.
Além da vontade e da raça
dos jogadores do Remo, pode-se atribuir o crescimento do time Paraense a
percepção do seu treinador, quando tirou o lateral esquerdo e colocou um
zagueiro para fazer uma marcação individual no garçom tricolor, também a
entrada de Joãozinho explorando as laterais, bem como a falta de alternativa do
Bahia frente a essa situação.
Pode-se também atribuir a
virada no panorama da partida ao péssimo futebol jogado por alguns atletas,
principalmente no segundo tempo, com falhas coletivas e individuais. E foi em
um conjunto de falhas que saiu o segundo gol do Remo.
O lance do gol começou com o
erro de passe de Fahel na intermediaria, depois a bola foi tocada para Joãozinho
livre pela esquerda, que cruzou na área do Bahia, Tite cortou mal, e a bola caiu
nos pés de Magnum, este livre, sem nenhuma supervisão dos volantes, chutou no
canto de Lomba, fazendo 2x1 para o Remo.
Assim, com dois tempos de um
mesmo jogo totalmente distintos, com algumas virtudes mantidas, principalmente
no primeiro tempo, e muitos erros aparentes, sobretudo no segundo tempo, o
Bahia transformou um jogo cercado de muita expectativa em decepção, um começo
promissor em um final frustrante.
Confira agora a
análise de cada jogador, e do treinador, com os conceitos: ÓTIMO, BOM, REGULAR
E PÉSSIMO.
MARCELO LOMBA: BOM. Não teve
culpa nos gols sofridos, e foi até bem em algumas bolas aéreas.
MADSON: REGULAR. Foi até participativo,
se apresentando bem junto com Gabriel. Mas, no segundo tempo foi muito mal.
Saiu machucado para entrada de Danny Morais.
DANNY MORAIS: SEM CONCEITO. Entrou
no final do jogo no lugar de Madson e não teve tempo suficiente para mostrar
algo.
RAFAEL DONATO: BOM. Boa
partida, bem na marcação, fazendo a cobertura dos seus companheiros de defesa
que não estavam bem, sobretudo no segundo tempo, e sempre tentando fazer gol de
cabeça nas bolas aéreas.
TITE: PÉSSIMO. Não estava em
uma noite feliz. Errou quase o jogo todo. Foi uma das piores partidas do capitão
com a camisa do Esquadrão.
GUTIÉRREZ: PÉSSIMO. Quase não
contribuiu ofensivamente, e no que seria sua principal virtude, a marcação, foi
muito mal, sendo facilmente envolvido pelos adversários, e ainda errou muitos
passes. Se esse for o seu real futebol, não tem condições de jogar no Esquadrão
de aço.
FAHEL: REGULAR. Começou até
bem no primeiro tempo, mas, como quase toda a equipe, fez um segundo tempo
muito ruim, errando passes fáceis e marcando muito mal.
JÚNIOR: REGULAR. Entrou no
lugar de Fahel e pouco contribuiu no péssimo segundo tempo do time.
DIONES: BOM. Surpresa de
Falcão na escalação, Diones ajudou na marcação e ainda saiu para o ataque, principalmente
na etapa inicial. Fez um belo gol de cabeça, após cruzamento de Gabriel, em
jogada em que ele mesmo começou.
GABRIEL: BOM. Belíssimo primeiro
tempo, com mais uma assistência em sua coleção e belas e perigosas jogadas pelo
lado direito. Porém, no segundo tempo, com uma marcação individual colocada
pelo treinador adversário, sumiu no jogo, fazendo o contrário do que fizera na
primeira etapa.
MORAIS: REGULAR. Fez até um
bom primeiro tempo, criando algumas jogadas, mas precisa ser mais decisivo a
favor do time, fazendo jus ao cartaz que lhe é atribuído. No segundo tempo foi
péssimo, como quase todo o time.
LULINHA: REGULAR. Corre muito,
se esforça bastante, participa o tempo todo, mas erra demais. Um jogador
profissional não pode errar tanto como Lulinha. São erros que chegam a ser
bisonhos. A cabeçada sozinho dentro da área, um chute horroroso da entrada da
área, outro em cima do goleiro após bela jogada, foram lances que poderiam
decidir o jogo e a classificação antecipada para o Bahia. Pode-se resumir o
futebol de Lulinha na seguinte frase: muita transpiração e pouca inspiração.
CIRO: PÉSSIMO. Um jogador a
menos em campo, pouco participou, e nas chances que teve, tal qual Lulinha,
errou de forma até grosseira. Ou aprimora o condicionamento técnico ou vai se transformar
em uma eterna promessa do futebol brasileiro.
ZÉ ROBERTO: PÉSSIMO. Vinha
até melhorando em relação aos seus primeiros jogos, mas ontem contra o Remo, deu
até pena ver um jogador de sua qualidade se prestando a um papel ridículo, ao
ponto de não conseguir sequer dar um drible em um adversário. Está muito
distante da qualidade técnica que tem. Tomara que melhore, sob pena de se
tornar um péssimo investimento da direção.
FALCÃO: REGULAR. No primeiro
tempo, conseguiu colocar o time para jogar ao seu estilo, com posse de bola,
toques rápidos, marcação adiantada, muita personalidade, se impondo no jogo, ou
seja, tudo que se exige de um time no futebol moderno.
Porém, no segundo tempo, o
time voltou muito mal, com uma postura inversa em relação ao primeiro tempo.
Falcão não conseguiu criar alternativa ao fato da perda do futebol de Gabriel,
em virtude da marcação individual a ele aplicada, também não conseguiu solução
para os ataques pelas laterais do time paraense.
Perdeu tempo quando tirou o
atacante de referência, Ciro, colocando Zé Roberto que não fica na área. Depois
tentou corrigir colocando Júnior, porém este nada fez.
No entanto, apesar de erros
nas substituições, não pode ser atribuído a Falcão a culpa por algumas
situações do time, como os erros individuais, e a falta de peças de reposição
para reverter situações de jogo, como aconteceu ontem.
REFLEXÃO
O resultado do jogo foi ruim,
mas não é motivo para pânico, pois é perfeitamente reversível em Pituaçu. No
entanto, a frustração após o belo início ontem contra o Remo, mostrou que o
clube tem bons valores, uma boa filosofia de jogo, mas que está longe de ter um
bom elenco.
É preciso lembrar que o Brasileirão está perto,
e que é mais do que necessário um elenco no mínimo uniforme em qualidade, que
permita a adaptação em situações diferentes que as esperadas, pois o futebol
atual é marcado por variações táticas dentro do mesmo jogo, exigindo bastante da
equipe como um todo e da percepção do treinador para saber utilizar peças qualificadas em busca do
triunfo.
Por: Luccio Valverde





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