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RAIO X DO ESQUADRÃO. REMO 2 X 1 BAHIA

Por: | quinta-feira, abril 12, 2012 Deixe um comentário


Em partida válida pela segunda fase da Copa do Brasil, o chamado jogo de ida, o Bahia entrou em campo, no estádio Olímpico em Belém do Pará, para enfrentar o Clube do Remo.

Cercado de expectativas, o Tricolor que tinha até a possibilidade de eliminar a partida de volta, se houvesse vencido com placar a partir de dois gols de diferença, acabou perdendo por 2x1 forçando a partida de volta em Pituaçu dia 19/04 às 19h30min.


BOM PRIMEIRO TEMPO

O jogo começou, com o Bahia desenvolvendo o futebol que é a marca da era Falcão. Com a Marcação adiantada, posse de bola, jogadas rápidas, sobretudo no lado direito com Gabriel, o tricolor quase que encurralou o time do Remo, que saía esporadicamente na base dos lançamentos.

Porém, em uma dessas saídas, contando com a ajuda do árbitro, que marcou pênalti, em uma bola que bateu claramente no peito de Madson, e não na mão como assinalou o amazonense, o Remo abriu o placar através do jogador Fábio Oliveira.

Mesmo saindo atrás, o Bahia não se abateu e continuou com o mesmo futebol rápido e envolvente do início do jogo, com marcação adiantada e toques rápidos.

Desta forma, se impondo em campo, o tricolor não demorou a empatar o jogo. Diones, que fazia boa partida, ganhou disputa no meio, e a bola sobrou para Gabriel. O garçom tricolor na temporada, com maestria, cruzou a bola na cabeça de Diones, que empatou o jogo.

Após o gol de empate, o Bahia voltou a ter chances, algumas claras, e por incompetência e falta de qualidade técnica de alguns jogadores na hora de finalizar, como Lulinha e Ciro, por exemplo, o Bahia não saiu vencedor da primeira etapa.


SEGUNDO TEMPO: BOM COMEÇO, PÉSSIMO DESFECHO

O Bahia voltou para o segundo tempo sem o mesmo ímpeto do primeiro, mas, mesmo assim, teve duas boas chances de passar à frente no placar, com Lulinha e Morais ambos fazendo jogadas individuais, mas chutando em cima do goleiro.

Apesar das duas chances de gol, o Bahia não era o mesmo, muito pelo contrário. O Remo que voltara com muita vontade, indo para cima do Esquadrão, encontrou um Bahia apático, que assistia o adversário crescer no jogo, mesmo que na base da empolgação.

Além da vontade e da raça dos jogadores do Remo, pode-se atribuir o crescimento do time Paraense a percepção do seu treinador, quando tirou o lateral esquerdo e colocou um zagueiro para fazer uma marcação individual no garçom tricolor, também a entrada de Joãozinho explorando as laterais, bem como a falta de alternativa do Bahia frente a essa situação.

Pode-se também atribuir a virada no panorama da partida ao péssimo futebol jogado por alguns atletas, principalmente no segundo tempo, com falhas coletivas e individuais. E foi em um conjunto de falhas que saiu o segundo gol do Remo.

O lance do gol começou com o erro de passe de Fahel na intermediaria, depois a bola foi tocada para Joãozinho livre pela esquerda, que cruzou na área do Bahia, Tite cortou mal, e a bola caiu nos pés de Magnum, este livre, sem nenhuma supervisão dos volantes, chutou no canto de Lomba, fazendo 2x1 para o Remo.

Assim, com dois tempos de um mesmo jogo totalmente distintos, com algumas virtudes mantidas, principalmente no primeiro tempo, e muitos erros aparentes, sobretudo no segundo tempo, o Bahia transformou um jogo cercado de muita expectativa em decepção, um começo promissor em um final frustrante.

Confira agora a análise de cada jogador, e do treinador, com os conceitos: ÓTIMO, BOM, REGULAR E PÉSSIMO.

MARCELO LOMBA: BOM. Não teve culpa nos gols sofridos, e foi até bem em algumas bolas aéreas.

MADSON: REGULAR. Foi até participativo, se apresentando bem junto com Gabriel. Mas, no segundo tempo foi muito mal. Saiu machucado para entrada de Danny Morais.

DANNY MORAIS: SEM CONCEITO. Entrou no final do jogo no lugar de Madson e não teve tempo suficiente para mostrar algo.

RAFAEL DONATO: BOM. Boa partida, bem na marcação, fazendo a cobertura dos seus companheiros de defesa que não estavam bem, sobretudo no segundo tempo, e sempre tentando fazer gol de cabeça nas bolas aéreas.

TITE: PÉSSIMO. Não estava em uma noite feliz. Errou quase o jogo todo. Foi uma das piores partidas do capitão com a camisa do Esquadrão.

GUTIÉRREZ: PÉSSIMO. Quase não contribuiu ofensivamente, e no que seria sua principal virtude, a marcação, foi muito mal, sendo facilmente envolvido pelos adversários, e ainda errou muitos passes. Se esse for o seu real futebol, não tem condições de jogar no Esquadrão de aço.

FAHEL: REGULAR. Começou até bem no primeiro tempo, mas, como quase toda a equipe, fez um segundo tempo muito ruim, errando passes fáceis e marcando muito mal.

JÚNIOR: REGULAR. Entrou no lugar de Fahel e pouco contribuiu no péssimo segundo tempo do time.

DIONES: BOM. Surpresa de Falcão na escalação, Diones ajudou na marcação e ainda saiu para o ataque, principalmente na etapa inicial. Fez um belo gol de cabeça, após cruzamento de Gabriel, em jogada em que ele mesmo começou.

GABRIEL: BOM. Belíssimo primeiro tempo, com mais uma assistência em sua coleção e belas e perigosas jogadas pelo lado direito. Porém, no segundo tempo, com uma marcação individual colocada pelo treinador adversário, sumiu no jogo, fazendo o contrário do que fizera na primeira etapa.

MORAIS: REGULAR. Fez até um bom primeiro tempo, criando algumas jogadas, mas precisa ser mais decisivo a favor do time, fazendo jus ao cartaz que lhe é atribuído. No segundo tempo foi péssimo, como quase todo o time.

LULINHA: REGULAR. Corre muito, se esforça bastante, participa o tempo todo, mas erra demais. Um jogador profissional não pode errar tanto como Lulinha. São erros que chegam a ser bisonhos. A cabeçada sozinho dentro da área, um chute horroroso da entrada da área, outro em cima do goleiro após bela jogada, foram lances que poderiam decidir o jogo e a classificação antecipada para o Bahia. Pode-se resumir o futebol de Lulinha na seguinte frase: muita transpiração e pouca inspiração.

CIRO: PÉSSIMO. Um jogador a menos em campo, pouco participou, e nas chances que teve, tal qual Lulinha, errou de forma até grosseira. Ou aprimora o condicionamento técnico ou vai se transformar em uma eterna promessa do futebol brasileiro.

ZÉ ROBERTO: PÉSSIMO. Vinha até melhorando em relação aos seus primeiros jogos, mas ontem contra o Remo, deu até pena ver um jogador de sua qualidade se prestando a um papel ridículo, ao ponto de não conseguir sequer dar um drible em um adversário. Está muito distante da qualidade técnica que tem. Tomara que melhore, sob pena de se tornar um péssimo investimento da direção.

FALCÃO: REGULAR. No primeiro tempo, conseguiu colocar o time para jogar ao seu estilo, com posse de bola, toques rápidos, marcação adiantada, muita personalidade, se impondo no jogo, ou seja, tudo que se exige de um time no futebol moderno.

Porém, no segundo tempo, o time voltou muito mal, com uma postura inversa em relação ao primeiro tempo. Falcão não conseguiu criar alternativa ao fato da perda do futebol de Gabriel, em virtude da marcação individual a ele aplicada, também não conseguiu solução para os ataques pelas laterais do time paraense.

Perdeu tempo quando tirou o atacante de referência, Ciro, colocando Zé Roberto que não fica na área. Depois tentou corrigir colocando Júnior, porém este nada fez.

No entanto, apesar de erros nas substituições, não pode ser atribuído a Falcão a culpa por algumas situações do time, como os erros individuais, e a falta de peças de reposição para reverter situações de jogo, como aconteceu ontem.


REFLEXÃO

O resultado do jogo foi ruim, mas não é motivo para pânico, pois é perfeitamente reversível em Pituaçu. No entanto, a frustração após o belo início ontem contra o Remo, mostrou que o clube tem bons valores, uma boa filosofia de jogo, mas que está longe de ter um bom elenco.


É preciso lembrar que o Brasileirão está perto, e que é mais do que necessário um elenco no mínimo uniforme em qualidade, que permita a adaptação em situações diferentes que as esperadas, pois o futebol atual é marcado por variações táticas dentro do mesmo jogo, exigindo bastante da equipe como um todo e da percepção do treinador para saber utilizar peças qualificadas em busca do triunfo.


Por: Luccio Valverde

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