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Entrevista exclusiva com Darino Sena:

Por: | quinta-feira, março 19, 2015 Deixe um comentário


Na manhã da última segunda-feira a equipe do Amor de Aço realizou uma entrevista com o jornalista esportivo Darino Sena, comentarista de futebol da TV Bahia. Em um papo descontraído com o jornalista esportivo, fizemos perguntas sobre escolhas profissionais, o Bahia dentro e fora de campo e muitos mais. Confira tudo na íntegra a seguir:

[Amor de Aço] O que te fez escolher o jornalismo, especialmente a área esportiva?
Darino: Na verdade o que me fez escolher o jornalismo foi o amor pelo futebol. Eu queria trabalhar com futebol de qualquer maneira. Era uma obsessão. Tentei ser jogador, mas a verdade é que sou péssimo. (risos) Tentei de tudo. Ser zagueiro, goleiro, atacante... Fiz peneiras em Bahia e Vitória. Mas vi que não tinha talento, me conformei com e fui em busca de algo que tivesse afinidade. Fiquei com dúvida entre duas coisas: educação física e jornalismo. Na primeira, poderia ser preparador físico ou treinador. Mas sempre tive mais afinidade com comunicação. Sempre gostei de ler muito, me informar sobre o esporte. Só não imaginava que ia chegar na televisão. Tive experiências em rádio e internet, mas nunca planejei ser comentarista. Na infância, meu sonho era ser narrador. Eu até pratiquei muito isso jogando botão (risos). Mas as coisas foram acontecendo e aqui estou.

[Amor de Aço] Você aceitaria sair hoje da TV para fazer parte de um projeto novo em algum clube?
Darino: Não. Estou focado na minha carreira na TV. Já trabalhei no próprio Bahia por seis anos. Foi uma experiência maravilhosa. Trabalhei no Vitória, também na assessoria de imprensa. Foram etapas fundamentais para o meu crescimento profissional. Mas já tem cinco anos que sou comentarista. Estou feliz. Conquistei meu espaço e pretendo seguir assim.

[Amor de Aço] Se você estivesse à frente no comando do Bahia, qual seria suas ações quanto ao futebol?
Darino: Primeiro, não tenho essa pretensão. Mas sobre o futebol do clube, me agrada o que a atual gestão tem feito nesse início. Valorização da base, contratações dentro da realidade financeira do clube, time com uma filosofia de jogo ofensiva, um resgate de um estilo que marcou o Bahia nos grandes momentos de sua história. Torço pra que continue nesse caminho.



[Amor de Aço] Falando sobre a chegada de Avancini, novo diretor de Marketing do clube, o que você acha desse nome e o que espera dele?
Darino: Gostei muito dessa contratação. Esse cargo normalmente é ocupado por indicações políticas e não pela capacidade técnica. O Bahia fez diferente. Avancini dispensa apresentações. Fez um belíssimo trabalho no Internacional. Bacana também a atitude de ir lá e tirá-lo de um clube do tamanho do Inter. Agora estou na expectativa do que ele vai fazer. Se vai mesmo implementar as mudanças pra fortalecer o projeto de sócios do Bahia e alavancar receitas. O Bahia nunca teve um plano de sócios satisfatório. Esse é o desafio. Ainda é muito cedo para fazer uma avaliação. Mas a chegada dele mostra que finalmente o clube encara o sócio-torcedor como prioridade.

[Amor de Aço] Sobre a questão da torcida do Bahia não ser tão presente na Arena, você acredita que se deve ao quê? 
Darino: Primeiro vamos fazer uma autocrítica aos times do Bahia nesses anos de arena: foram horríveis. Estreou no estádio em 2013 tomando goleadas históricas do Vitória. No segundo semestre, sofrimento e quase caiu. Veio 2014, chegou a ganhar o Baiano, mas foi um desastre na Copa do Brasil e Nordestão, além de ter sido rebaixado. O torcedor não é burro. Não vai sair de casa para ver um espetáculo ruim, ainda mais com a comodidade de assistir pela televisão. Com o futebol europeu tão próximo do nosso dia a dia, num nível de excelência muito superior ao nosso, o torcedor ficou ainda mais exigente. A política de preços da Fonte Nova, no começo, foi equivocada. Mas eles têm feito esforços pra rever isso, com promoções, redução de valores. O que tem que melhorar é o acesso, principalmente a compra de ingressos na bilheteria, pouco antes da bola rolar. A gente houve reclamações constantes do torcedor. O pessoal da arena culpa a falta de antecipação na compra. Mas isso é um hábito da torcida baiana. Não vai mudar a curto prazo. A Fonte Nova tem que se adaptar. Mas, repito: o principal fator da baixa presença de público sem dúvida ainda é a desconfiança. É uma herança maldita dos péssimos times que o tricolor teve que aturar nos últimos anos.



[Amor de Aço] O Elenco desse primeiro semestre, quais os pontos negativos e positivos que você já enxerga?
Darino: Ainda não dá para ver todas as deficiências do elenco do Bahia, porque ele ainda não foi testado contra times do nível de dificuldade que vai enfrentar na Série B, por exemplo. Mas já dá pra notar que falta um zagueiro para fazer dupla com Titi. Chicão, Thales e Adriano Alves não se firmaram. A esperança é o garoto Robson, que tem feito bons jogos. Nas laterais, Tony me surpreendeu, mas não tem substituto, já que Railan não volta tão cedo. Na esquerda, Carlos tem potencial, mas ainda é “muito verde”. Patric também não parece estar pronto. Já no setor ofensivo, o Bahia vai precisar contratar um centroavante ao menos pra compor o elenco. São muitos jogadores de velocidade, que atuam pelos lados. Falta um definidor no banco. Léo Gamalho não vai jogar todos os jogos. Kieza a gente não sabe se vai renovar. Na base não gente com esse perfil.

 [Amor de Aço] E a tática do time em campo, o que você destaca de Sérgio Soares como influência disso?
Darino: Futebol hoje é posse de bola, troca de passes, variação tática. Por ora, o Bahia tem mostrado isso. Mas, repito, faltam grandes testes. O nível dos adversários que o tricolor enfrentou até agora prejudica uma avaliação do real potencial do time de Sérgio Soares. O principal desafio do Sérgio é manter essa mentalidade ofensiva e achar um equilíbrio, pra que o Bahia não fique vulnerável a contra-ataques, principalmente jogando em casa, por exemplo. Independentemente do que aconteça daqui pra frente, já é positiva essa preocupação do técnico em implementar uma filosofia ofensiva, uma tradição do clube que acabou se perdendo nos últimos anos. Outro mérito do treinador foi a flexibilidade quanto a forma de jogar. Ele começou jogando de um jeito, mas foi conhecendo o elenco e adaptou a equipe às características dos melhores jogadores. Encaixou o trio Léo, Maxi e Kieza graças a essa sensibilidade.

[Amor de Aço] Sobre Jeanzinho, hoje ele é titular do time e tem na concorrência Omar e Douglas Pires que são bons goleiros também. Será que ele se manterá assim até o final da temporada?
Darino: Ele é um goleiro muito promissor, mas acho muito precoce essa titularidade. Ele não está pronto ainda e o Bahia não pode correr o risco que “queimar” um menino tão talentoso. Foi ótima essa experiência dele, pra mostrar serviço, pra mostrar que tem futuro, pra ganhar confiança nessa fase final da formação dele. Mas o Bahia tem outros dois goleiros mais experientes e de ótimo nível técnico, que são Omar e Douglas. Meu titular seria Douglas. Essa oferta de bons talentos na posição tem muito a ver com o preparador de goleiros Ricardo Palmeira, que está há muito tempo no Bahia e é um dos principais craques do futebol brasileiro na função. Conheço bem o trabalho de Ricardo. Ele é excepcional.

[Amor de Aço] E a ida dele para a Seleção, qual a sua análise?
Darino: Merecida e importante. Ele deve perder a vaga no time por causa disso, mas é o que eu falei, o Jean ainda é um goleiro em formação. A ida dele pra seleção dá visibilidade a ele e ao trabalho de base o clube, além de abrir uma brecha pra Douglas se firmar, sem desgastar o Jean.

[Amor de Aço] Quais as causas das oscilações dos dois principais garotos vindos da base (Bruno Paulista e Rômulo)?
Darino: Absolutamente natural. Eles ainda não estão ai para resolver e sim para compor. Sérgio entendeu isso e tirou o peso dos dois quando ficaram muito expostos à pressão. Desde que Rômulo saiu, o time vem dando certo com os três atacantes. Agora, quando ele entra, tem menos responsabilidade e mais tranquilidade pra jogar o que sabe. A saída de Bruno Paulista, num primeiro momento, entendi, mas agora não se justifica. Ele é acima da média nesse elenco do Bahia. Pela característica dele, que é um cara que marca forte e tem qualidade no passe, uma boa chegada à frente, Bruno é fundamental pro equilíbrio tático que Sérgio tem buscado. Bruno caiu de produção um pouco no começo do ano, mas já voltou a jogar bem. No meu time, ele não seria reserva de jeito nenhum. Bruno tem que ter uma sequência pra se firmar como bom jogador que ele promete ser. Tem que jogar.

[Amor de Aço] Foi dito muito sobre a volta de Ávine tempos atrás e agora não temos mais notícias, você acredita que ele ainda retorna aos gramados?
Darino: Ávine é um cara que eu conheço há 15 anos. O vi jogar a primeira vez ainda no juvenil, num time que tinha Bruno César e Danilo Rios. Ávine é um símbolo no Bahia, mas eu não acredito que ele volte. Pelas informações de pessoas do próprio clube, é muito difícil. Espero que ele termine o contrato e que possa trabalhar de alguma forma no Bahia. Achei muito bacana a atitude do clube com ele, de renovar contrato, mantê-lo em contato com o elenco, a comissão. É um reconhecimento importante por tudo que ele fez.

[Amor de Aço] Sobre o Campeonato Baiano, hoje temos uma fórmula como os demais no Brasil. Você acha que pode ser feito uma alteração para que deixe ele mais atraente?
Darino: É preciso ter algo que equalize esse primeiro semestre, tanto para os times grandes como para os pequenos.  De repente, fazer um Campeonato Baiano que comece desde o ano anterior ao invés de ter a Copa Governador do Estado no segundo semestre. Seria uma fase classificatória pra reta final, com Bahia e Vitória, no início do ano. Você manteria os clubes menores em atividade por mais tempo e valorizaria a disputa entre eles, premiando as fases preliminares com vagas em competições nacionais, como o Nordeste, Copa do Brasil e Série D. Ao mesmo tempo, Bahia e Vitória teriam mais tempo de pré-temporada e um calendário mais folgado.

[Amor de Aço] E quanto ao Brasileirão, manteria como está ou mudaria?
Darino: Ao contrário da maioria absoluta dos meus colegas de imprensa, sou radicalmente a favor do “mata-mata”. Da forma que eu gostaria, seriam só mais seis datas no calendário. Bastaria reduzir o Estadual um pouco. Manteria o turno e returno, com os 20 times, todos contra todos. Os oito melhores iriam para o mata-mata das quartas, semis e finais. A volta do mata-mata é a redemocratização do sonho de ser campeão brasileiro. Com o disparate econômico cada vez mais acentuado entre os clubes grandes e médios, nós do Nordeste não podemos nem sonhar em ser campeões brasileiros, como Bahia já fo um dia. A disputa fica limitada a uma panelinha. O campeonato fica previsível e chato. O argumento de que a fórmula deixa de valorizar quem tem mais estrutura é falso. Esses sempre vão chegar. Mas o mata-mata abre a possibilidade pra outros também pleitearem a taça de vez em quando.

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