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O Novo Tricolor de Aço

Por: | sábado, abril 21, 2012 Deixe um comentário


Hoje o Bahia é um time que a cada semana me surpreende, seja pelo trabalho consciente do Falcão e sua comissão técnica, seja pela postura em campo. Através das entrevistas do treinador, vemos que hoje há algo fundamental no tricolor: Planejamento.

Falcão tinha como meta classificar no baiano, depois garantir o 1° lugar enquanto vencia os jogos da Copa do Brasil de modo a evitar o jogo de volta. Esse passo a passo é fundamental para dar foco aos jogadores, fazê-los pensar um passo de cada vez e evitar oba-oba, o rodízio que o planejamento proporciona motiva também os “reservas” a se esforçarem mais nos treinos e jogos para conseguir aquela vaguinha no time.

Este planejamento, também é visto fora de campo, onde o time vem tendo muitas baixas, lesões inclusive dinamitando a lateral esquerda e forçando improviso. Ontem, Helder estava com a 6 e não foi um primor, porém em momento algum comprometeu, o que significa que ele foi preparado durante os treinamentos para assumir aquela posição. Este trabalho do dia-a-dia de Falcão é bem visível justamente ao observar o posicionamento do time durante os 90 minutos, quando vemos os jogadores guardarem posição ou a marcação que não é ainda perfeita, porém admirável. O maior defeito, talvez, seja dar espaço demais ao adversário, não pressionar para tomar a bola e evitar cruzamentos ou chutes de longe. Porém, há uma coisa que raramente vemos hoje nos times brasileiros: cobertura. Quando um jogador do Bahia dá combate, não chega duro para matar a jogada, mas sim para desestabilizar o adversário, forçá-lo a ir por um caminho onde um companheiro estará para assim roubar a bola de modo limpo, o que permite um baixo número de faltas.

Outro destaque do time é o ataque, onde temos dois meias inspirados, talentosos e com um pé incrivelmente calibrado! Todo o time tem um bom nível de acerto de passes, não só os curtos, como os longos e mais difíceis, fazendo a bola rodar o campo todo, porém Morais e Gabriel me espantaram com seus lançamentos, viradas de jogo e enfiadas milimetricamente precisas! Uma pena que tínhamos um genérico de Souza com a 9 e um ineficiente Lulinha para receber estas bolas e prontamente desperdiçá-las. Incrível como Lulinha não fez nada que preste, tentou cavar faltas o tempo todo, só fazendo o gol porque estava de frente e o goleiro já deslocado. Já o lento Júnior, assim como Souza, é alto e tem força mas infelizmente não tem técnica e nem pé direito, com o qual poderia ter concluído sem defesa duas vezes e não fez, perdendo a bola ao tentar bater com o pé bom.

O melhor jogador da partida foi Morais, eficiente no ataque e na defesa, incansável, com uma visão de jogo apurada que só é possível com entrosamento com os companheiros; espero que continue jogando em alto nível, apesar de sua carreira ser um tanto irregular. Já Gabriel parece mesmo muito talentoso e deve receber muitas propostas senão no meio do ano, ao final do Brasileirão. Possui boa visão de jogo, tem uma qualidade de passe rara, alguma facilidade em driblar e é rápido, cansa no 2° tempo, mas os passes certeiros, mesmo longos, compensam a falta de correria. Aliás, reside no físico de Gabriel seu principal defeito, perde peso muito fácil, tem um biótipo magro e pouca força, o que o faz cair sempre que um jogador mais forte chega junto, inclusive sem falta, porém é algo para o qual Falcão já atentou e já fez um planejamento (novamente ele), divulgado na imprensa, onde reconhecem esta deficiência e apresentam um plano de treinamento para seu fortalecimento muscular.

O Remo jogou fechadinho, com o regulamento debaixo do braço, o Bahia ficou nervoso e subia muito, deixando a defesa frágil aos contra-ataques, porém era simples pressão psicológica, a necessidade de fazer um gol para pegar a vaga. Após o intervalo, vimos um time mais organizado, menos precipitado, Madson que já vinha bem no jogo, se destacou mais no 2° tempo, Diones deu ótimos combates garantindo que a zaga não fosse pega tão vulnerável, houve mais triangulações e os gols foram saindo, o time jogou mais solto e a goleada não foi maior porque Souza não estava em campo.

Falcão, ao fim do jogo, fez mudanças pontuais que não só diminuíram o ritmo de jogo, como renovaram o fôlego. Ao invés de recuar com jogadores de defesa, colocou sangue novo. Vander recebeu belo lançamento, fez um gol e depois estupidamente tirou a camisa. Jogador profissional não pode fazer isso de jeito algum, imagine se estivesse 2 a 1, Vander recebe vermelho e o Remo cresce? Mais um trabalho para o professor Falcão, que até agora só merece elogios. Faz um trabalho forte e técnico durante a semana, substitui bem, corrige falhas e planeja cuidadosamente o avanço de sua equipe em todas as frentes, sem priorizar campeonatos.

Confiante no Bahia e ansiosa para os próximos jogos da Copa do Brasil! BBMP


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