Hoje o Bahia é um time que a cada semana
me surpreende, seja pelo trabalho consciente do Falcão e sua comissão
técnica, seja pela postura em campo. Através das entrevistas do
treinador, vemos que hoje há algo fundamental no tricolor: Planejamento.
Falcão tinha como meta classificar no
baiano, depois garantir o 1° lugar enquanto vencia os jogos da Copa do
Brasil de modo a evitar o jogo de volta. Esse passo a passo é
fundamental para dar foco aos jogadores, fazê-los pensar um passo de
cada vez e evitar oba-oba, o rodízio que o planejamento proporciona
motiva também os “reservas” a se esforçarem mais nos treinos e jogos
para conseguir aquela vaguinha no time.
Este planejamento, também é visto fora
de campo, onde o time vem tendo muitas baixas, lesões inclusive
dinamitando a lateral esquerda e forçando improviso. Ontem, Helder
estava com a 6 e não foi um primor, porém em momento algum comprometeu, o
que significa que ele foi preparado durante os treinamentos para
assumir aquela posição. Este trabalho do dia-a-dia de Falcão é bem
visível justamente ao observar o posicionamento do time durante os 90
minutos, quando vemos os jogadores guardarem posição ou a marcação que
não é ainda perfeita, porém admirável.
O maior defeito, talvez, seja dar espaço demais ao adversário, não
pressionar para tomar a bola e evitar cruzamentos ou chutes de longe.
Porém, há uma coisa que raramente vemos hoje nos times brasileiros:
cobertura. Quando um jogador do Bahia dá combate, não chega duro para
matar a jogada, mas sim para desestabilizar o adversário, forçá-lo a ir
por um caminho onde um companheiro estará para assim roubar a bola de
modo limpo, o que permite um baixo número de faltas.
Outro destaque do time é o ataque, onde
temos dois meias inspirados, talentosos e com um pé incrivelmente
calibrado! Todo o time tem um bom nível de acerto de passes, não só os
curtos, como os longos e mais difíceis, fazendo a bola rodar o campo
todo, porém Morais e Gabriel me espantaram com seus lançamentos, viradas
de jogo e enfiadas milimetricamente precisas! Uma pena que tínhamos um
genérico de Souza com a 9 e um ineficiente Lulinha para receber estas
bolas e prontamente desperdiçá-las. Incrível como Lulinha não fez nada
que preste, tentou cavar faltas o tempo todo, só fazendo o gol porque
estava de frente e o goleiro já deslocado. Já o lento Júnior, assim como
Souza, é alto e tem força mas infelizmente não tem técnica e nem pé
direito, com o qual poderia ter concluído sem defesa duas vezes e não
fez, perdendo a bola ao tentar bater com o pé bom.
O melhor jogador da partida foi Morais,
eficiente no ataque e na defesa, incansável, com uma visão de jogo
apurada que só é possível com entrosamento com os companheiros; espero
que continue jogando em alto nível, apesar de sua carreira ser um tanto
irregular. Já Gabriel parece mesmo muito talentoso e deve receber muitas
propostas senão no meio do ano, ao final do Brasileirão. Possui boa
visão de jogo, tem uma qualidade de passe rara, alguma facilidade em
driblar e é rápido, cansa no 2° tempo, mas os passes certeiros, mesmo
longos, compensam a falta de correria. Aliás, reside no físico de
Gabriel seu principal defeito, perde peso muito fácil, tem um biótipo
magro e pouca força, o que o faz cair sempre que um jogador mais forte
chega junto, inclusive sem falta, porém é algo para o qual Falcão já
atentou e já fez um planejamento (novamente ele), divulgado na imprensa,
onde reconhecem esta deficiência e apresentam um plano de treinamento
para seu fortalecimento muscular.
O Remo jogou fechadinho, com o
regulamento debaixo do braço, o Bahia ficou nervoso e subia muito,
deixando a defesa frágil aos contra-ataques, porém era simples pressão
psicológica, a necessidade de fazer um gol para pegar a vaga. Após o
intervalo, vimos um time mais organizado, menos precipitado, Madson que
já vinha bem no jogo, se destacou mais no 2° tempo, Diones deu ótimos
combates garantindo que a zaga não fosse pega tão vulnerável, houve mais
triangulações e os gols foram saindo, o time jogou mais solto e a
goleada não foi maior porque Souza não estava em campo.
Falcão, ao fim do jogo, fez mudanças
pontuais que não só diminuíram o ritmo de jogo, como renovaram o fôlego.
Ao invés de recuar com jogadores de defesa, colocou sangue novo. Vander
recebeu belo lançamento, fez um gol e depois estupidamente tirou a
camisa. Jogador profissional não pode fazer isso de jeito algum, imagine
se estivesse 2 a 1, Vander recebe vermelho e o Remo cresce? Mais um
trabalho para o professor Falcão, que até agora só merece elogios. Faz
um trabalho forte e técnico durante a semana, substitui bem, corrige
falhas e planeja cuidadosamente o avanço de sua equipe em todas as
frentes, sem priorizar campeonatos.
Confiante no Bahia e ansiosa para os próximos jogos da Copa do Brasil! BBMP
Fonte: Donas da Bola





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