Treino finalizado e jogadores deixam o centro de treinamentos do
Fazendão. Aí, o diretor das divisões de base lembra que uma das
promessas do Bahia tem entrevista marcada. Ele já havia deixado o local
com o pai à caminho de casa. Um telefonema, mesmo a contragosto do
repórter, é o suficiente para fazer o garoto voltar e, sem tirar o
sorriso do rosto, conversar por mais de meia hora sobre os feitos
alcançados no Tricolor.
A cena pode parecer impossível para muitos jogadores profissionais. Mas
foi assim que agiu Lourival. Aos 16 anos, o atacante já superou a marca
de 100 gols feitos em competições oficiais com a camisa do Bahia. Isso
desde 2009, quando a família decidiu anotar todos os gols e jogos feitos
pelo pupilo da casa.
- Minha mãe sempre teve essa coisa. Ela via matérias passando no Globo
Esporte sobre a família e ela sempre gostou de anotar porque ela sonhava
um dia eu ser um grande jogador e poderia vir uma grande emissora, como
a Globo, fazer uma entrevista comigo e ela ter tudo anotado para
mostrar – conta o garoto.
Os primeiros gols foram anotados em um caderno. Quando os pais
acompanhavam, as atualizações eram feitas da própria arquibancada.
Quando a viagem era longa, Lourival informava à mãe assim que terminava
as partidas para comemorar e contar os gols marcados.
Desse jeito, ele foi o artilheiro da Supercopa Baiana (2009), Copa
Cerquilho (2010), Campeonato Baiano (2010 e 2011) e Copa Rio Sub-17
(2012). Além disso, Lourival foi o artilheiro do Bahia em todas as
competições disputadas e o vice-artilheiro do Torneio Esperanza Alba
este ano.
- Ele tem muita qualidade na finalização. São mais de 100 gols só em
competições. Se contar amistoso chega a quase 200 – elogia o técnico
Edson Fabiano.
Torcedor do Bahia desde pequeno, Lourival conta que gostava de ir para a
Fonte Nova acompanhar o clube do coração. Da arquibancada, comemorou
gols de diversos atacantes do Tricolor, mas não daquele que o inspira.
- Aqui no Bahia eu quero ser que nem o Beijoca, que foi um grande ídolo e é muito idolatrado do clube – revela.
Apesar de não ter visto Beijoca em ação, a relação entre os dois é
muito maior do que se pode imaginar. Em 2006, Lourival foi treinador
pelo ídolo tricolor. Atualmente, moram perto e, de vez em quando, o
ex-jogador dá dicas para a promessa do Bahia.
- Ele conversa muito comigo e uma coisa que eu não me esqueço que
Beijoca me ensinou foi que jogador que não é muito alto não pode ficar
atrás do zagueiro. Ele sempre me ensinava que bola de cruzamento, bola
no fundo, tem que sempre antecipar e eu fiz muitos gols assim –
reconhece.
As conversas entre os dois são constantes. A timidez de Lourival, no
entanto, ainda não permitiu revelar a Beijoca que ele é a fonte de
inspiração:
- Eu sou um pouco envergonhado e nunca cheguei a dizer, mas acho que ele sabe que, no fundo, eu me inspiro muito nele.
Além do ídolo do Bahia, Lourival tem outro ex-jogador em que se
espelha. Neste caso, a semelhança vai além do faro de gol e do tamanho.
Com apenas 1,68m, a promessa do Bahia, assim como Romário, não tem papas
na língua quando o assunto é falar sobre o dom de ser artilheiro.
- Algumas pessoas podem entender mal, mas eu sempre fiz muitos gols.
Desde que entrei na escolinha, no futebol de salão, fui artilheiro do
Baiano e sempre fui artilheiro dos campeonatos que participei – diz com o
sorriso no rosto e sem esconder a preocupação de ser mal entendido.
Futuro no Bahia
Com 16 anos, Lourival acredita que deve esperar mais dois ou três anos
para começar a ter oportunidade entre os profissionais do Bahia. Até lá,
espera definir como vai ser chamado dentro de campo.
- Eu gosto de Guegué, que foi o apelido que meu irmão de deu quando era
pequeno. Acho que Lourival é um pouco diferente. Guegué por ser apelido
poderia ficar melhor. Mas tanto faz. O importante é subir – acredita.
Para essa transição, o atacante da divisão de base do Bahia ganhou um
conselho de quem teve a mesma fama há pouco tempo. Revelado pelo
Corinthians, Lulinha fez 297 gols nas divisões de base do time paulista e
deu algumas dicas:
- É complicado. A base não tem nada a ver com o profissional. Fui
artilheiro em muitos campeonatos, mas no profissional é totalmente
diferente. Sempre digo pra manter a personalidade para render da mesma
forma que rendeu na base – aconselha.
Com o apelido dado pelo irmão ou o nome que herdou do pai, Lourival
mantém em mente o objetivo de repetir o sucesso de seus maiores ídolos.
E, no caso de Beijoca, também fazer história com a camisa do Bahia.
- Na academia tem fotos de grandes jogadores, como Beijoca, Charles e
outros que fizeram história. Quem sabe um dia minha foto vai estar lá
também como maior artilheiro do clube ou um grande ídolo? – sonha o
adolescente.
Enquanto este dia não chega, Lourival garante que vai manter a mesma
simplicidade que o fez retornar ao Fazendão para uma entrevista. Postura
que será sempre cobrada pelo pai:
- Já disse a ele para não deixar o sucesso subir à cabeça – sentencia Lourival pai.
Fonte: globoesporte.com





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