Confiram um texto antigo de Sérgio Barreto, publicado no blog Bora Bahia minha porra em 17/08/2010, que traduz a emoção que o Bahia proporciona. Vale a pena ler de novo:
Por Sérgio Barreto ::
Por motivos profissionais, há cerca de 4 anos me mudei para o Rio de Janeiro. Neste período, minha mãe, que mora em Salvador, começou a apresentar problemas sérios de saúde, inclusive com perda de memória. Com isso, passei a visitar Salvador com mais freqüência para acompanhar a saúde dela. Eu sei que meu pai e minha irmã fazem de tudo para cuidar bem dela, mas procuro sempre estar por perto na medida do possível.
Minha mãe não entende nada de futebol e também nunca se interessou por isso. Acompanhava somente os jogos da COPA porque era uma forma de juntar a família. No entanto, em uma das minhas visitas a Salvador, nós ficamos conversando sobre coisas do passado para ajudá-la a recuperar alguns acontecimentos. A médica que está acompanhando ela pediu pra gente fazer isso. Falamos muito sobre a minha infância e no meio do bate-papo ela perguntou:
- Filho, você ainda gosta do Bahia?
Aí respondi: – Claro mãe, apesar de todos os problemas, eu gosto sim.
- Um dia você me leva na Fonte Nova com você?
- Eu gostaria muito mãe, mas você lembra que devido a um acidente o estádio está em reforma?
Ela falou: – O quê, filho? A Fonte Nova?
Nessa hora percebi um pouco da gravidade do problema, pois no meio da conversa a memória dela já tinha apresentando algumas falhas, porém em seguida ela me surpreendeu e disse:
- Filho, você lembra que quando o Bahia ganhava você era pequeninho, e a torcida cantava assim: “Quem é o campeão dos campeões? É o Bahia! Quem é que carrega a multidão? É o Bahia! Quem é que tranqüiliza os corações? É o Bahia!”
Porra velho, na moral, quando eu ouvi isso eu simplesmente comecei a chorar. Minha mãe cantou a música todinha. Por dentro, me deu aquela vontade de gritar: minha mãe é Bahia porra!! Só que eu não conseguia parar de chorar. Fiquei pensando que as conquistas do Bahia do passado foram tão marcantes que ficou gravado na memória da minha mãe que, apesar de não acompanhar futebol e com o problema de saúde, não foi capaz de esquecer.





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