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Uma análise completa do projeto tricolor e sua execução.

Por: | terça-feira, janeiro 07, 2014 3 comentários

Dificuldades enfrentadas, política de contratação e democracia

Todo início de projeto é assim mesmo. Não se tem a certeza de que tudo será como planejado. O que mais importa no momento é a confiança de que esse ‘tudo’, ou boa parcela, dará certo. Tem que dar certo. Com a firmeza dos atos, certamente dará.

As críticas são sempre bem vindas e é salutar para a sobrevivência do regime democrático que se estabeleceu no Esporte Clube Bahia depois de 82 anos, mormente porque foi conquistado à duras penas e por força da imponente pena de um magistrado com sentido de justiça apurado e da desenvoltura de um mineiro, torcedor do Galo, que, com muita fibra, regeu todo um processo tenso de democratização do clube.


Portanto qualquer torcedor, seja sócio ou não, tem o direito constitucional de produzi-las, desde que, óbvio, o façam obedecendo às normas legais e morais existentes, bem como aos bons costumes relativos à perfeita harmonia de convivência.

No Bahia já está em curso o projeto reclamado por muitos torcedores, sócio ou não, e o pontapé já foi dado e, para os inconformados, em especial aos que perderam o trono e as mordomias, as próximas eleições estão bem próximas, desde que associados e em dias com as suas obrigações para fazerem valer a sua vontade. Como é bom poder falar isso. Impensável há bem pouco tempo atrás. Será o pleito democrático - nunca antes observado na história do Tricolor de Aço (plagiando o companheiro Lula) - que julgará se o trabalho foi a contento ou não.

Se a coisa começar a dar errado, críticas virão de todos os lados a clamar por mudanças. O que é muito justo. Justíssimo. Já dizia certo personagem de um folhetim global.

Essa é a única, mas poderosa, arma que existe para combater o incompetente, o malfeitor, o inconseqüente e, o péssimo torcedor do maravilhoso clube intitulado Esporte Clube Bahia.

Por tal razão jamais este que subscreve a presente carta ao público deixaria de ser sócio do Esporte Clube Bahia. Somente poderia deixar de sê-lo se tivesse a certeza de que o suado dinheiro estaria sendo embolsado por alguém inescrupuloso ou se, por ordem do destino, perdesse a capacidade financeira para tanto (toc, toc, toc - batendo na madeira para espantar esse tenebroso ‘destino’). 

É no evento totalmente democrático que se pode fazer campanha para apoiar A, B, C ou D. A escolha é livre ao eleitor. Só não há dúvidas de que será pelo trabalho efetuado e os resultados em campo (e fora dele) que alguém ou grupo poderá ser excluído do poder e, concomitantemente, um novo elemento ou grupo poderá alçá-lo, em substituição, baseado no seu passado limpo e em promessas de campanha. 

E aí, repete-se o processo, renovam-se as esperanças.

O torcedor sócio pode, deve e, creio, irá exercer sempre o seu direito de 'cidadão tricolor' escolhendo aquele ou aquela que entenda ser o melhor para o Bahia, não para si.


Por este viés, pode o torcedor ficar tranqüilo. A chave do sucesso estará a todo o momento em suas mãos.

A democracia é um ciclo que não permite vícios. Proporciona oportunidades.

                    A QUESTÃO DAS DIFICULDADES PARA CONTRATAR

Inicio com a seguinte indagação: Times riquíssimos como São Paulo e Corinthians, como exemplos, estão contratando alguém?

Ao contrário, andam se desfazendo de muitos bons jogadores. A folha de pagamento inchada já demonstra sinais de debilidade. Não se observa no Brasil atual, com raríssimas exceções, contratações de vulto. O mercado está realmente difícil. O Corinthians já afirmou que vai derrubar a folha salarial para a metade. Pretende, mas não sabe como desfazer-se de jogadores gabaritados como Sheik e Pato. Vive a oferecer Douglas no mercado, inclusive ao Tricolor baiano, para o mundo, todavia ninguém o quer. Não pela qualidade do jogador que todos sabem possuir, embora não esteja em boa fase há algum tempo, mas pelo lado financeiro. O jogador percebe R$ 400 mil/mês, o que se pode considerar um absurdo, um abuso, mormente quando sabemos que a renda per capta nacional sequer alcança a cifra de R$ 2 mil e o salário mínimo, renda da esmagadora maioria dos brasileiros, não alcança nem metade disso.

Observo também, por exemplo, o Atlético (PR), que está classificado para disputar a Libertadores. Em vez de contratar, está perdendo jogadores. Rescindiu com Paulo Bayer, perdeu Léo para o Flamengo em uma manobra rubro-negra carioca, reclamada pelos paranaenses, por desprezar a ética. Fato que não é de se estranhar, até mesmo pelo recente episódio envolvendo o tricolor que envolvia o troca-troca entre os jogadores Feijão e Rafinha.

O Grêmio é outro exemplo. Também disputará a Libertadores, inclusive já na fase de grupos. Não renovará com vários jogadores de ponta: Zé Roberto, Elano, Vargas, Dida, ou seja, enxugará a sua FOPAG. O Botafogo, idem, trazendo veteraníssimos e lutando para ficar de vez com o atacante Elias (sic), de péssima memória para o tricolor. 

Por que não (o Bahia) pode agir da mesma forma? 

Do mesmo modo deve atuar o Bahia no mercado. Só que há um problema como o enfrentado pelo Corinthians. O clube precisa libertar-se de jogadores considerados ‘pesos mortos’, contudo não está conseguindo. Necessita diminuir o custo da folha de pagamento, conforme planejamento divulgado pela diretoria, em torno de R$ 1milhão/mês. O entrave está na aceitação/receptividade do mercado de jogadores como Souza, Neto, Kléberson. Os citados atletas possuem salários considerados altíssimos para os padrões atuais.

Até o momento, apenas Diones, que também não interessava mais a permanência no clube, foi emprestado. Ainda assim, tendo o Bahia que arcar com 50% dos salários do atleta. Um custo de R$ 45mil/mês, sem contar com os penduricalhos fiscais, ônus do empregador, tais quais INSS, FGTS e outros. De qualquer sorte, livrou-se da metade das despesas. Muito pouco para alcançar o objetivo.

 Com os três jogadores que mais pesam no orçamento acima citados (Souza, Neto e Kléberson) as despesas giram em torno de R$ 600 mil/mês, fora os penduricalhos fiscais, perfazendo, anualmente, o total de R$ 7.200.000,00. Quase o valor que recebe da Arena Fonte Nova, cujo contrato até hoje nunca bem esclarecido.  A receita com renda dos jogos, como se infere, são quase que totalmente absorvidas por apenas 3 (três jogadores) que sequer jogarão pelo clube no ano de 2014. 

É um abacaxi monumental para aqueles que ora planejam o Bahia descascar. As dificuldades são enormes. Reconheçam-se. No entanto, não será apenas por isso que o torcedor terá que aplaudir sempre. Reconheça-se o esforço, mas cobre-se maior responsabilidade e melhores critérios nas contratações.

DAS CRÍTICAS À POLÍTICA DE CONTRATAÇÕES

Muitas vezes é mesmo preferível que se aguarde um pouco mais para uma avaliação mais criteriosa. Não se deve ser tão impaciente a ponto de prever que o Bahia, pelo 4º ano consecutivo, lutará para não cair; que o time atual, diante das contratações efetuadas, será pior que o do ano anterior. Não há entre os torcedores nenhuma Madame Beatriz ou Mãe Dinah que seja capaz de fazer tal previsão, até mesmo porque acreditar nesses personagens é imaginar que ficará milionário ganhando a Mega-Sena da virada sem nunca ter jogado.

No entanto, nem por essas razões a voz do torcedor tenha que ser calada. Uma mordaça é do tempo em que futebol era instrumento de manobra. Isso nunca!

Antes que sofra a alcunha de fazer parte da atual direção tricolor, faz-se mister um singelo esclarecimento: não conhece ninguém de lá de dentro pessoalmente e, muito menos, mantém laço de intimidade com qualquer dirigente ou conselheiro que seja. Muito menos há procuração para tal.

Os únicos contatos mantidos são por intermédio dos espaços de fóruns existentes que debatam o Esporte Clube Bahia e/ou pequenos grupos de WhatsApp e Tweeter’s da vida. Ser apenas torcedor do clube e ostentar a condição de sócio do único clube do coração, com muito orgulho, já é o que basta. 

E a defesa que se faz (pedir paciência) tem um fundamento: Os novos ares que respiramos. A confiança tem que estar sempre de braços abertos, não necessariamente imobilizados, porque, a qualquer momento, diante de circunstâncias suspeitas, podem ser cerrados ferozmente. 

Por tudo isso que se impõe existir reciprocidade, a qual pode ser avaliada pelo trabalho diuturno e sério, permitindo que a confiança depositada mantenha a sua razão de existir. 

Pois bem, é certo que Bahia precisa se reforçar, renovar os eu time com urgência, mas com qualidade. Como desenvolvido pelo texto, há o reconhecimento de que a coisa não é assim tão fácil. O Brasil está infestado de empresários de jogadores nefastos, dirigentes, do mesmo modo, os quais se vendem a ganância aos empresários e a alma ao diabo.

No início, tentar fazer a coisa correta dá muito trabalho e custa bastante, mas quando compreenderem que é assim que a banda deve tocar, as coisas vão melhorando paulatinamente. Ainda há o vício deixado pelos antecedentes. 

O texto estava sendo montado quando o SMS foi disparado no dia de ontem (06.01.14). 

A primeira reação de muitos (inclusive deste subscritor) foi a de decepção. Houve gritaria quase que geral. Talvez, por experiência própria, tal fato deveu-se à expectativa que foi criada em torno de nomes. A expectativa foi maior que o resultado divulgado. Muita gente brava. Decepcionada. Com o tempo a notícia foi sendo ingerida, deglutida, paulatinamente. Uma providencial entrevista com o Capita serviu não para explicar, mas para justificar o que tem sido feito e a forma com estão sendo tratadas as contratações. E os ânimos, embora ainda um pouco acirrados, arrefeceram um pouco.

A questão do empresário Eduardo Uran que sozinho conseguiu inserir no clube 80% dos atuais contratados (seis de oito) ainda carece de maiores explicações, para o bem de todos que administram o clube. Nada pode ser nebuloso, principalmente quando se trata de comportamento corriqueiro da direção anterior a qual era muito combatida por todos. Mais atenção.  

Diante dos fatos, nota-se que ficou alguma marca. Quiçá em um momento de melhor visibilidade mais alguma coisa possa ser esclarecida. O estágio atual provavelmente não deve estar permitindo (fazendo uso descarado do gerundismo). É o que se pode pretensamente inferir. 

Das explicações, mais uma vez, volta-se para a questão do orçamento e da disponibilidade de atletas de bom nível que se encaixe no padrão predeterminado pelo clube. Um fato histórico e muito alvissareiro, todavia, veio à tona: O Bahia, a partir de agora, somente faz contratação jogador de empresário se obtiver lucro em negociações futuras por ter tido sua imagem engrandecida pelo tricolor. A vitrine tricolor valorizada. Excelente a notícia.  

Com isto, o subscritor, mais uma vez, retorna ao otimismo de antes e oferece sua solidariedade em reconhecimento às boas intenções. Ainda não satisfeito, mas momentaneamente resignado. 

Aguarda-se, pois, o tempo em que os contratados possam finalmente demonstrar se têm ou não potencial para envergar a belíssima camisa tricolor. Todavia ainda ressabiado pelas contratações efetivadas até o momento, cujos nomes reputo insuficientes para o Bahia fazer uma campanha digna de seu nome. Trata-se de mero prognóstico por conta do histórico dos atletas envolvidos. De qualquer sorte, só tempo dirá. 

DO BOM TRABALHO EXECUTADO ATÉ O MOMENTO

Recapitulem-se as coisas boas já providenciadas.


A começar por um dos primeiros atos dessa nova administração: A questão das torcidas organizadas. Reconheça-se que torcidas organizadas embelezam os estádios sim, mas que devem se resumir apenas a torcer e alegrar o ambiente em dias de jogos de sua equipe. Não para ganhar brindes à custa do combalido cofre do clube com distribuição de ingressos. Ademais, parece que tais agrupamentos estão se reunindo para prática de atos que destroem a imagem do clube, ao invés de engrandecer. 

E, como já é público e notório, pelo bem do futebol e do clube, este cordão umbilical foi cortado. 

Deve-se reconhecer mais, que o sócio hoje é valorizado, em detrimento a algum (uns) cronista (s) esportivo (s) que, presume-se, obtinha (m) alguma vantagem e ainda tratava (m) mal (ainda persiste), através dos microfones e câmeras da vida, o tempo todo, o Esporte Clube Bahia. A notícia chega primeira ao sócio para, somente depois, chegar à imprensa.

Acabou o privilégio. 

O Bahia mudou a postura com relação às contratações de jogadores sem vínculo com o clube. Passará a obter lucros com futuras negociações por conta da vitrine que iluminou determinado atleta. Isso é fenomenal. Inédito.

Assim, deve-se enxergar que as mudanças já estão em curso. Estão se processando livremente. Certamente, os frutos virão, desde que sejam mantidos o prumo e o rumo no caminho da felicidade.

Promessa do subscritor que continua solidário à atual administração e tentará ser mais paciente e cuidadoso ao receber novos SMS, mas com um aviso bem iluminado, como o inserido na primeira parte do texto: 

Se a coisa começar a dar errado, críticas surgirão a clamar por mudanças. Direito concedido. Direito utilizado.

A democracia é um ciclo que não permite vícios. Proporciona oportunidades.

Por um Bahia melhor a cada dia!


Por: JOCA

Nome: Josedil Carlos Neri Neto
E-mail: josedil.neri@jfse.jus.br e jocaneri@hotmail.com
Tweeter: @jocaneriNeri 
Membro da Embaixada Tricolor de Aracaju
Funcionário Público Federal

3 comentários: Deixe o seu comentário

  1. Vc é suspeito, Rato.
    Valeu!

    Joca

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  2. Excelente texto! Parabéns! Lembrando que o momento é de associação em massa. Quando a gestão faz sua parte, os torcedores também precisam fazer a sua.

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