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A esperada (e tão desejada) contratação dos Biancucchi

Por: | sexta-feira, janeiro 10, 2014 Deixe um comentário
SMS disparado por volta das 10h dia 08 de janeiro de 2014. Os sócios do tricolor baiano receberam a notícia do fechamento das negociações em torno do jogador que intitula a coluna. Os torcedores do Tricolor de Aço, como sempre em razão da paixão desenfreada que move o mundo do futebol, estão exultantes e com razão.

O disparo da mensagem eletrônica indica que a contração está confirmadíssima. Importante dizer isso, pois somente o SMS, que já virou ‘meme’ no mundo digital, é capaz de dizer seguramente que um negócio envolvendo clube e jogador de futebol foi confirmado. O resto é pura especulação.

E a notícia veio em overdose, em todos os sentidos. Foi dupla a novidade, a uma porque se trata da contratação de dois jogadores para o elenco do Bahia. A duas, porque os jogadores em questão pertencem à mesma árvore genealógica. Em vez de vir apenas um Biancucchi, vieram logo dois: Maxi e seu irmão mais novo Emanuel.

A anotar outro fato inusitado: o SMS disparado foi bilíngüe. Em português e em espanhol. Para alguns, talvez isso não tenha importância, mas tem sim. Serviu para direcionar a notícia ao mundo exterior, em especial, ao mercado efervescente sul-americano o qual, nos dias atuais, tem sido ferozmente atacado por clubes brasileiros por se mostrar mais vantajoso tanto no aspecto financeiro quanto no técnico. O mercado interno está empalado, estagnado e encarecido.

O DUPLO SIGNIFICADO DA CONTRATAÇÃO DOS “HERMANOS”: TÉCNICO E POLÍTICO

Há aqueles que pontificam as contratações como meramente técnicas, ou seja, relativas apenas à qualidade técnica dos atletas. No entanto, há outro ponto de vista capaz de informar o engano daqueles que assim pensam.  Há, por detrás, uma estratégia muito bem montada. Creio.

CRITÉRIOS TÉCNICOS

 
Maxi Biancucchi - Tecnicamente falando, a contratação de Maxi Biancucchi já pode ser considerada a mais impactante até o momento. E não há nenhum exagero em fazer tal declaração. Ainda que haja certa dúvida se Maxi reeditará o seu desempenho do ano de 2013, a contratação, de per si, representa o esforço da diretoria em querer acertar. Aqui não se pode afirmar negócio arriscado, pois todos os critérios que validam uma contratação foram utilizados: idade, qualidade comprovada, profissionalismo dentre outros. Não se trata, pois, de aposta como algumas das contratações anteriores.

Sem querer jogar água no chope da torcida que vibra e faz festa acerca do negócio realizado, apenas pela necessidade de forçar o contraponto, pode-se até, racionalmente ou não, confessar alguma implicância com relação ao jogador, ora por birra ou desconfiança pelo fato de ter sido ex-jogador do maior rival, ora por critérios técnicos mesmo. Não significa que Maxi Biancucchi seja jogador ruim. Longe disso. O motivo parece mesmo estranho, porque advindo do soberbo do desempenho do atleta no arquirrival baiano. Explica-se.  Os seus números foram tão fantásticos, bem acima de uma média ponderada, que causam certa perplexidade. O jogador obteve percentual de acima de 70% (setenta por cento) no quesito acerto de finalização, dado este obtido da relação “nº de finalização x gol marcado”. Não é comum. É uma média altíssima para qualquer jogador. Simplesmente surpreendentes. Um percentual assim é atingido apenas por jogadores do quilate de um Romário, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e, quiçá, um Neymar, cujo grau de excelência está ainda em construção. Somente por atletas geniais, que são raríssimos. E, reconheça-se, Maxi não é nenhum jogador genial. Trata-se de jogador qualificado, mas não excepcional, cuja contratação seria recomendada para qualquer clube brasileiro na atualidade. E o Bahia não seria exceção.

Sintetizando, Maxi Biancucchi esteve ‘impossível’ ano passado. A cada cinco chutes, quatro tinham endereço certo e, não raro, ultrapassavam a meta adversária. Ou seja, chutou, fez gol. Quase infalível. Sinceramente, um ano abençoado.

Diante do acima exposto, vocês devem estar se perguntando: - Esse cara é um louco, aponta as qualidades do jogador e diz que ainda vê com certa desconfiança?

Mas é exatamente por conta desses números impressionantes que fico com a pulga atrás da orelha. O histórico dele me dizia exatamente o contrário antes de ser contratado pelo nosso maior rival. Lembro-me bem que, no Flamengo, dava dó vê-lo jogar. Não finalizava bem. Depois, em outro time, repetia-se o defeito. Tanto era assim que se o Bahia o tivesse contratado em lugar do Vitória, no início de 2013, muitos teriam criticado. E é isso que me faz indagar: - Será que isso é natural de um jogador de futebol da qualidade de Biancucchi? Essa incrível marca atingida é possível de ser repetida? Prefiro responder, para não ser cético, com um, digamos, "não sei". Mas declaro, de coração aberto, espero que sim. E vou torcer ferrenhamente para que ocorra. Que repita o mesmo desempenho.

O que dizer hoje, então, com a contratação já confirmada? Pois bem, ratificar que se trata de um ótimo jogador, já provou isso, e será um reforço importantíssimo. Contratação mais que aprovada, portanto. Não mais. Seria presunçoso ao extremo se vaticinar que Maxi não dará certo. Não faria isso. Pelo oposto, acho mesmo que dará. Ainda que não reedite as suas atuações do ano passado, não terá sido uma escolha equivocada, porque avalizada por belas atuações e aprovada pela grande maioria.

Ademais, não se trata de jogador fanfarrão, parece comprometido com a profissão e ainda com boa idade para a prática do esporte. Somando-se a tudo isso, já está bem adaptado à cidade de Salvador, conhece a torcida e o potencial do clube, posto ter acompanhado todo o processo de democratização do clube.

Emanuel Biancucchi - Quanto ao irmão, não se pode dizer que veio por imposição (o contrapeso) como muitos estão a afirmar. Não há indícios. Bem verdade que muito pouco se sabe do jogador. Aqui é uma aposta, sim. Mas que não custa ser tentada.

Não parece, a priori, tratar-se de jogador ruim. Vem para uma posição há muito carente no Bahia, a meia esquerda. Com a motivação de jogar ao lado do irmão mais velho, o que facilitará a sua inserção no clube. Creio que poderá render bons frutos. Então, quanto ao critério técnico, somente o tempo dirá se foi bem sucedida ou não. Somente com a bola rolando se terá a noção. Aqui cabe mais um pedido de paciência.

Ademais, quem garante que ele não vai estourar no Bahia?

CRITÉRIO POLÍTICO OU ESTRATÉGICO

Imagino tratar-se de uma jogada muito bem estruturada pela nova administração do Bahia assim que caiu no colo a possibilidade da contratação do jogador, hoje bem badalado. Creio mesmo em jogada de mestre. Não que tenha sido planejada há tempos, mas tendo surgido a oportunidade, abraçou-a. É o que nos parece. Melhora a imagem junto ao torcedor, após decepcionar-se com contratações pouco badaladas e, de quebra, pode-se alcançar o objetivo real, a abertura de outros mercados.

O Marketing atual do Bahia tem provado a cada dia ser muito eficiente. Já deu mostras e exemplos de saber como trabalhar. Estou quase certo de que pensaram bem, antes de efetivar o negócio. A instituição Bahia tem passado por momentos de horror. Sem dinheiro em caixa, tem passado vexame por não poder assumir a ainda imensurável dívida herdada de uma administração inconseqüente.

O estado encontrado era quase vegetativo. As luzes dos painéis dos equipamentos da sala da UTI já não pulsavam continuamente. Os novos “médicos” têm feito muito para salvar a vida. Por vezes, o remédio é amargo (jogadores sem expressão, em baixa), alternando com momentos de coragem, quando se aumenta a dosagem do remédio a ser administrado. Pode matar, porém, desde que analisados os riscos, também pode salvar. Este é o exemplo típico das contratações dos irmãos Biancucchi.

Pensem no seguinte fato: Dois irmãos, argentinos, primos do jogador mais famoso do mundo na atualidade, contratados por um clube do nordeste brasileiro. Um clube desacreditado por empresários e jogadores do mercado (interno ou externo) pela fama de mau pagador, tudo por conta de antecedentes atos praticados por uma administração imortalizada pela incompetência. Pensaram?

Pois bem. O fato pode não ser inusitado, mas é bastante interessante e curioso no mundo do futebol, quase singular, que poderá atrair a mídia estrangeira, principalmente a sul-americana e em especial a Argentina. Há nesse mercado bons valores. Lembram-se do SMS bilíngüe? Tudo tem uma razão de ser. O Bahia precisa, urgentemente, limpar a sua ficha com os hermanos. Precisa ser reconhecido como um clube de respeito, de tradição, que trata bem os jogadores e que honra seus compromissos. Apagar aquela que ficou marcada negativamente por tristes episódios, como o da saída de jogador argentino Rosales, que saiu bradando ter passado necessidades, abandonado e sem dinheiro para voltar ao seu país. Uma lástima. Certamente isso deve ter repercutido bastante por lá. E reconquistar a confiança não é tarefa fácil. Ao inverso, necessita-se de esforço redobrado. O fato de Maxi Biancucchi ter jogado na Bahia, conhecer a torcida e ter acompanhado todo o processo que se deu com o Bahia, deve ter ajudado. É uma nova porta que se abre para o Tricolor de Aço.

Entendo, pois, que as contratações não se deram apenas pelos critérios técnicos, mas também estratégicos. O valor do contrato pode não ter sido tão módico, mas valerá à pena. Não é muito difícil antever o sucesso que tal negociação pode proporcionar.

Por tudo isso, que venham os irmãos Biancucchi, ou melhor, Bahêcucchi!

Por um Bahia cada vez melhor.

Por: JOCA - Josedil Carlos Neri Neto
Twitter: @jocaneriNeri
Membro da Embaixada Tricolor de Aracaju e Funcionário Público Federal

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