O disparo da mensagem eletrônica indica que a
contração está confirmadíssima. Importante dizer isso, pois somente o SMS, que
já virou ‘meme’ no mundo digital, é capaz de dizer seguramente que um negócio envolvendo
clube e jogador de futebol foi confirmado. O resto é pura especulação.
E a notícia veio em overdose, em todos os sentidos.
Foi dupla a novidade, a uma porque se trata da contratação de dois jogadores para
o elenco do Bahia. A duas, porque os jogadores em questão pertencem à mesma
árvore genealógica. Em vez de vir apenas um Biancucchi, vieram logo dois: Maxi
e seu irmão mais novo Emanuel.
A anotar outro fato inusitado: o SMS disparado foi
bilíngüe. Em português e em espanhol. Para alguns, talvez isso não tenha
importância, mas tem sim. Serviu para direcionar a notícia ao mundo exterior,
em especial, ao mercado efervescente sul-americano o qual, nos dias atuais, tem
sido ferozmente atacado por clubes brasileiros por se mostrar mais vantajoso
tanto no aspecto financeiro quanto no técnico. O mercado interno está empalado,
estagnado e encarecido.
O DUPLO SIGNIFICADO DA CONTRATAÇÃO DOS “HERMANOS”: TÉCNICO E POLÍTICO
Há aqueles que pontificam as contratações como
meramente técnicas, ou seja, relativas apenas à qualidade técnica dos atletas.
No entanto, há outro ponto de vista capaz de informar o engano daqueles que assim
pensam. Há, por detrás, uma estratégia
muito bem montada. Creio.
CRITÉRIOS TÉCNICOS
Maxi Biancucchi - Tecnicamente falando, a contratação de Maxi
Biancucchi já pode ser considerada a mais impactante até o momento. E não há
nenhum exagero em fazer tal declaração. Ainda que haja certa dúvida se Maxi
reeditará o seu desempenho do ano de 2013, a contratação, de per si, representa o esforço da diretoria em querer acertar. Aqui
não se pode afirmar negócio arriscado, pois todos os critérios que validam uma
contratação foram utilizados: idade, qualidade comprovada, profissionalismo
dentre outros. Não se trata, pois, de aposta como algumas das contratações
anteriores.
Sem querer jogar água no chope da torcida que vibra
e faz festa acerca do negócio realizado, apenas pela necessidade de forçar o
contraponto, pode-se até, racionalmente ou não, confessar alguma implicância
com relação ao jogador, ora por birra ou desconfiança pelo fato de ter sido
ex-jogador do maior rival, ora por critérios técnicos mesmo. Não significa que
Maxi Biancucchi seja jogador ruim. Longe disso. O motivo parece mesmo estranho,
porque advindo do soberbo do desempenho do atleta no arquirrival baiano.
Explica-se. Os seus números foram tão fantásticos,
bem acima de uma média ponderada, que causam certa perplexidade. O jogador obteve
percentual de acima de 70% (setenta por cento) no quesito acerto de finalização,
dado este obtido da relação “nº de finalização
x gol marcado”. Não é comum. É uma média altíssima para qualquer
jogador. Simplesmente surpreendentes. Um percentual assim é atingido apenas por
jogadores do quilate de um Romário, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e, quiçá, um
Neymar, cujo grau de excelência está ainda em construção. Somente por atletas
geniais, que são raríssimos. E, reconheça-se, Maxi não é nenhum jogador genial.
Trata-se de jogador qualificado, mas não excepcional, cuja contratação seria recomendada
para qualquer clube brasileiro na atualidade. E o Bahia não seria exceção.
Sintetizando, Maxi Biancucchi esteve ‘impossível’
ano passado. A cada cinco chutes, quatro tinham endereço certo e, não raro,
ultrapassavam a meta adversária. Ou seja, chutou, fez gol. Quase infalível. Sinceramente,
um ano abençoado.
Diante do acima exposto, vocês devem estar se perguntando: - Esse cara é um louco, aponta as qualidades do jogador e diz que ainda vê com certa desconfiança?
Mas é exatamente por conta desses números impressionantes que fico com a pulga atrás da orelha. O histórico dele me dizia exatamente o contrário antes de ser contratado pelo nosso maior rival. Lembro-me bem que, no Flamengo, dava dó vê-lo jogar. Não finalizava bem. Depois, em outro time, repetia-se o defeito. Tanto era assim que se o Bahia o tivesse contratado em lugar do Vitória, no início de 2013, muitos teriam criticado. E é isso que me faz indagar: - Será que isso é natural de um jogador de futebol da qualidade de Biancucchi? Essa incrível marca atingida é possível de ser repetida? Prefiro responder, para não ser cético, com um, digamos, "não sei". Mas declaro, de coração aberto, espero que sim. E vou torcer ferrenhamente para que ocorra. Que repita o mesmo desempenho.
O que dizer hoje, então, com a contratação já
confirmada? Pois bem, ratificar que se trata de um ótimo jogador, já provou
isso, e será um reforço importantíssimo. Contratação mais que aprovada,
portanto. Não mais. Seria presunçoso ao extremo se vaticinar que Maxi não dará
certo. Não faria isso. Pelo oposto, acho mesmo que dará. Ainda que não reedite
as suas atuações do ano passado, não terá sido uma escolha equivocada, porque avalizada
por belas atuações e aprovada pela grande maioria.
Ademais, não se trata de jogador fanfarrão, parece comprometido
com a profissão e ainda com boa idade para a prática do esporte. Somando-se a
tudo isso, já está bem adaptado à cidade de Salvador, conhece a torcida e o
potencial do clube, posto ter acompanhado todo o processo de democratização do
clube.
Emanuel Biancucchi - Quanto
ao irmão, não se pode dizer que veio por imposição (o contrapeso) como muitos
estão a afirmar. Não há indícios. Bem verdade que muito pouco se sabe do
jogador. Aqui é uma aposta, sim. Mas que não custa ser tentada.
Não
parece, a priori, tratar-se de jogador
ruim. Vem para uma posição há muito carente no Bahia, a meia esquerda. Com a
motivação de jogar ao lado do irmão mais velho, o que facilitará a sua inserção
no clube. Creio que poderá render bons frutos. Então, quanto ao critério
técnico, somente o tempo dirá se foi bem sucedida ou não. Somente com a bola
rolando se terá a noção. Aqui cabe mais um pedido de paciência.
Ademais,
quem garante que ele não vai estourar no Bahia?
CRITÉRIO POLÍTICO OU
ESTRATÉGICO
Imagino
tratar-se de uma jogada muito bem estruturada pela nova administração do Bahia
assim que caiu no colo a possibilidade da contratação do jogador, hoje bem
badalado. Creio mesmo em jogada de mestre. Não que tenha sido planejada há
tempos, mas tendo surgido a oportunidade, abraçou-a. É o que nos parece. Melhora
a imagem junto ao torcedor, após decepcionar-se com contratações pouco
badaladas e, de quebra, pode-se alcançar o objetivo real, a abertura de outros
mercados.
O
Marketing atual do Bahia tem provado a cada dia ser muito eficiente. Já deu
mostras e exemplos de saber como trabalhar. Estou quase certo de que pensaram bem,
antes de efetivar o negócio. A instituição Bahia tem passado por momentos de
horror. Sem dinheiro em caixa, tem passado vexame por não poder assumir a ainda
imensurável dívida herdada de uma administração inconseqüente.
O
estado encontrado era quase vegetativo. As luzes dos painéis dos equipamentos
da sala da UTI já não pulsavam continuamente. Os novos “médicos” têm feito
muito para salvar a vida. Por vezes, o remédio é amargo (jogadores sem
expressão, em baixa), alternando com momentos de coragem, quando se aumenta a
dosagem do remédio a ser administrado. Pode matar, porém, desde que analisados
os riscos, também pode salvar. Este é o exemplo típico das contratações dos
irmãos Biancucchi.
Pensem no seguinte fato: Dois irmãos, argentinos, primos do jogador mais famoso do mundo na atualidade, contratados por um clube do nordeste brasileiro. Um clube desacreditado por empresários e jogadores do mercado (interno ou externo) pela fama de mau pagador, tudo por conta de antecedentes atos praticados por uma administração imortalizada pela incompetência. Pensaram?
Pois
bem. O fato pode não ser inusitado, mas é bastante interessante e curioso no
mundo do futebol, quase singular, que poderá atrair a mídia estrangeira,
principalmente a sul-americana e em especial a Argentina. Há nesse mercado bons
valores. Lembram-se do SMS bilíngüe? Tudo tem uma razão de ser. O Bahia
precisa, urgentemente, limpar a sua ficha com os hermanos. Precisa ser reconhecido como um clube de respeito, de
tradição, que trata bem os jogadores e que honra seus compromissos. Apagar aquela
que ficou marcada negativamente por tristes episódios, como o da saída de jogador
argentino Rosales, que saiu bradando ter passado necessidades, abandonado e sem
dinheiro para voltar ao seu país. Uma lástima. Certamente isso deve ter
repercutido bastante por lá. E reconquistar a confiança não é tarefa fácil. Ao
inverso, necessita-se de esforço redobrado. O fato de Maxi Biancucchi ter
jogado na Bahia, conhecer a torcida e ter acompanhado todo o processo que se
deu com o Bahia, deve ter ajudado. É uma nova porta que se abre para o Tricolor
de Aço.
Entendo,
pois, que as contratações não se deram apenas pelos critérios técnicos, mas
também estratégicos. O valor do contrato pode não ter sido tão módico, mas
valerá à pena. Não é muito difícil antever o sucesso que tal negociação pode
proporcionar.
Por
tudo isso, que venham os irmãos Biancucchi, ou melhor, Bahêcucchi!
Por
um Bahia cada vez melhor.
Por: JOCA - Josedil Carlos Neri Neto
E-mail: josedil.neri@jfse.jus.br
e jocaneri@hotmail.com
Twitter: @jocaneriNeri
Membro da Embaixada Tricolor de Aracaju e Funcionário Público Federal






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