CORITIBA 0x0 BAHIA
30ª rodada Brasileirão
Mesmo com uma pontinha de frustração, esse é um pontinho muito importante para o Bahia. Apesar do mesmo resultado de quarta, que na ocasião não agradou, ter acontecido de novo, a sensação pós-jogo é muito diferente. É de dever cumprido e de alívio. Afinal, o Coritiba é um dos adversários mais qualificados que o tricolor enfrentou, estava jogando em casa e tinha ( ou tem ainda) a pretensão de chegar à Libertadores. Estava desfalcado, é verdade, mas creio que não conseguiu vencer porque encontrou um adversário firme na defesa e com vontade de agredir também.
O Bahia entrou em campo com sua postura já conhecida: todos os jogadores atrás da linha da bola para defender, time compactado e contra-ataque engatilhado. Contando com uma concentração louvável dos seus jogadores, o time conseguiu se manter seguro no início da partida, sem passar sustos. Assim, logo começou a botar as "manguinhas de fora" e com o lado esquerdo disponível, viu Dodô criar boas chances de marcar o primeiro.
O lado esquerdo de ataque do Bahia era o caminho até que Marcelo Oliveira, técnico inteligentíssimo do Coxa, inverteu os posicionamentos de Rafinha e Éverton (Avatar). O ex-tricolor foi para o lado de Dodô, tentar impedir seus avanços, enquanto o veloz atacante alvi-verde caiu na direita da defesa baiana, para infernizar Marcone. Aliás, Rafinha foi o nome do Coritiba no primeiro tempo. Primeiro, fez um lance de circo, ao driblar um carrinho de Danny Morais, na linha de fundo, com um "chapeuzinho" de pura categoria. Depois, com uma clássica "tabacada" em Marcone, criou boa chance que Bill não conseguiu alcançar. Fato é que após a intervenção de Marcelo Oliveira, Dodô perdeu "a mamata" e com a pressão de Éverton, acabou fazendo o Bahia perder em ofensividade. Ainda assim, o Coritiba pouco conseguiu agredir o tricolor.
No segundo tempo o Coxa manteve a iniciativa do jogo, mas continuou esbarrando na consistência defensiva dos baianos. Aí vieram os motivos da pontinha de frustração: O Coritiba começou a perder força e dar boas oportunidades ao Bahia. Não foram poucas as vezes que Hélder, Ricardinho, Dodô, e até Souza, pegaram a bola com liberdade no meio campo, com a zaga adversária desarrumada e desabitada. E não aproveitaram. Jones foi bastante acionado, achou algumas oportunidades para mostrar seu principal atributo (lá ele), a velocidade, mas frustrou equipe e torcida, com lances sem inspiração alguma. E até na força deixou a desejar, quando, no mano a mano, permitiu que o volante paranaense chegasse primeiro em uma bola que poderia sair na cara do gol.
O tempo foi passando e apesar das tentativas de fora da área de Marcos Aurélio e Leonardo (ficaram em Lomba) e do sassarico constante de Rafinha, o Coritiba pouco criou. Depois dos 40 minutos é que conseguiu finalizar de dentro da área, mas Lomba salvou um chute cruzado perigoso. No fim das contas foi o Bahia que teve as mais evidentes oportunidades e faltou a Dodô, Souza e Lulinha, capricho. Apesar de saber que o resultado de empate poderia ser considerado positivo, eu, particulamente, comecei a torcer para o tempo não passar rápido. Eu acreditava que a qualquer momento o Bahia poderia fazer seu gol e que o Coritiba, menos pelos desfalques e mais pela belíssima partida do sistema defensivo do Bahia, poderia passar um dia tentando que não iria vazar a meta tricolor.
Algumas observações:
Lomba foi exigido com frequência e mostrou sua costumeira segurança. Foi muito importante para o resultado defendendo chutes de média distância e uma bola cruzada já no final do jogo.
Marcone foi improvisado na lateral direita e, apesar da tabacada que tomou de Rafinha, marcou sem comprometer. Porém, quando teve a bola nos pés, deixou muito a desejar e fez sua parte na justificativa da titularidade de Fabinho.
Paulo Miranda foi muito firme. Esqueceu o sobrenome Maldini em Salvador, para a bênção dos baianos, e fez excelente partida.
Danny Morais fez uma partida segura, sem comprometer. Fez com que a falta de Titi fosse menos sentida do que imaginava. É o terceiro zagueiro absoluto do elenco.
Dodô esbanjou confiança, arriscou chutes, arrancadas e dribles. Poderia ter tentado o passe para Souza em uma jogada individual fantástica, mas tinha um zagueiro de olho em Souza e a bola poderia não chegar. Considerei que Dodô ter chutado não foi um "crime". Uma boa partida a dele, que no segundo tempo ainda foi pra meia esquerda e teve chances de finalizar de novo.
Fabinho e Fahel foram muito concentrados e seguros. Fahel teve sua chance pra marcar de novo, mas dessa vez foi mérito do volante Gil, que salvou em cima da linha. Fabinho inverteu com Marcone algumas vezes e já no final do jogo, após a entrada de Camacho, fixou residência na lateral direita, cobrindo bem as investidas de Rafinha. É dono da cabeça de área de forma indiscutível hoje.
Hélder também andou invertendo com Dodô. Na verdade, deveriam chamá-lo de Anjo da Guarda Esquerda. Ano passado foi Ávine, esse ano é Dodô quem vem ganhando liberdade pra jogar e aparecer com a cobertura do volante piauiense. Hélder parece ter tomado a posição de Diones, mesmo se o atleta ex-Bahia de Feira não estivesse machucado. Precisa se cuidar contra a irregularidade e a imprudência (que hoje não apareceu, justiça seja feita.)
Ricardinho deu uns dois passes chamativos, de técnica, mas destoou. Parecia o mais disperso do time e até em alguns combates que não exigiam tanto esforço, ele deixou a desejar. Estava tão distante que conseguiu fazer boa leitura do primeiro tempo. Em sua entrevista, foi detalhista sobre o jogo. Pelo que não conseguiu correr, tem tudo para virar assistente técnico de Joel em breve.
Jones foi importante para puxar contra-ataques, além de voltar com frequência para marcar, mas ele há algum tempo que não faz um jogo pelo menos regular, principalmente com a bola nos pés. Se atrapalha com a bola, chuta muito mal, baixa a cabeça pra correr ou dar um passe...coisas que fazem ele ser sempre a primeira opção de substituição para um time que tem Lulinha no banco.
Souza fez outra boa partida. Apesar de uma cabeçada limpa que ele executou muito mal no primeiro tempo, a frase do "Seu Sérgio", que assistiu o jogo comigo, resume bem: "Rapaz, começo a querer Souza no Bahia". É verdade, ele está mais disposto, se movimenta melhor e cumpre um papel defensivo muito importante em bolas paradas. Só se sacrifica um pouco pelo esquema tricolor exigir mais velocidade, mas até nisso ele tem evoluído.
Lulinha entrou com a disposição de sempre, mas um pouco disperso. Apesar disso, foi perigoso e confirmou sua condição de primeiro opção no banco. Se Jones não se cuidar, Lulinha pode ganhar essa vaga que não é dele desde o jogo do Ceará.
Joel armou o time bem compacto e fez intervenções interessantes. Adiantou Dodô no segundo tempo, colocou Lulinha nas costas de Eltinho e deslocou Fabinho para o lado direito após a entrada de Camacho. Questiono a permanência de Ricardinho durante toda a peleja, mas não condeno ele ter ficado o jogo todo pela forma como ele parecia liderar a equipe. Acho que ao perceber o Coritiba desgastado, Joel viu que era possível manter o veterano meia-esquerda. Uma hipótese minha...
Foi uma partida interessante, que acabou 0x0 até em cartões amarelos, algo raro em um jogo tão disputado. E o fato de não ter aparecido cartões no jogo me surpreende mais ainda quando lembro que em campo tínhamos os "inocentes" Fabinho, Marcone, Hélder, Fahel e Lulinha pelo Bahia e Marcos Aurélio e Rafinha pelo Coxa. A arbitragem, temerosa pela lembrança do jogo do Brasiliense em 2010, foi muito bem. Os seus erros, pelo menos dos que lembro, foram provocados pelos bandeirinhas.
Considerando que todos os times atrás do Bahia na tabela perderam, que o tricolor enfrentou um time muito veloz e técnico e que sabe fazer bem o dever de casa, o resultado é sim considerado muito bom. Foi uma rodada que serviu pra aumentar a distância do bloco do rebaixamento e para aproximar o time mais um pouco da linha dos 45 pontos. Um 0x0 diferente daquele de quarta-feira, contra o Cruzeiro que hoje perdeu mais uma. Uma segunda cara do mesmo resultado, encarada agora com um sorriso. Em menos de cinco dias, o mesmo 0x0 e dois sentimentos opostos. Mais um encanto que só o futebol pode provocar.
Abraço!
Cássio Melo
De Fora É Minha F.C.




gostei do time e da sua avaliação, discordo de três pontos:
ResponderExcluirmarcone foi muito mal na marcação, foi uma avenida na direita (vamos dar um desconto pq tem muito tempo que não joga).
ricardinho foi bem na medida do possivel, aquilo que ele fez na cabeça da grande área foi um passe pra lulinha, que não esperava o raciocinio rápido de ricardinho e ficou sem saber uq fazer com a bola. ricardinho não foi um primor, mas estava a muito tempo sem jogar, então merece um desconto tb.
dodô jogou bem mais uma vez, porem aquele lance era pra tocar pra souza, essa galera tem que aprender com el cone: toca pra quem está em posição melhor. alem de não tocar ainda escolheu o canto errado pra chutar.