
BAHIA 3x1 FIGUEIRENSE
13ª rodada Brasileirão
Reinaldo Aleluia foi uma das promessas da divisão de base do Bahia do início dos anos 90. Em 2007 passou pelo tricolor, já como veterano. Mas ele não tem nada haver com este post. Reinaldo, em questão, é o atual centroavante tricolor. Aleluia é uma expressão pelo alívio do primeiro triunfo em casa.
Por que Reinaldo? Se Titi foi um monstro, se Ricardinho jogou sua melhor partida pelo Bahia e se Ávine, do jeito dele, foi fundamental novamente?
Eu digo Reinaldo porque ele marcou o gol que deu ao Bahia a tranquilidade que precisava pra vencer o jogo de ontem. Não acho que o Figueirense "botou o Bahia no bolso" no primeiro tempo, como avaliou René, mas acho que o time baiano novamente fez aquele "fogo" inicial e depois deu ao adversário mostras de que não é esse bicho papão todo. Nervoso, errando passes e sem movimentação, o Bahia foi, aos poucos, deixando de pressionar e fazendo o jogo ficar morno. Ao contrário de que alguns avaliam (inclusive meu pai), eu achei o Figueirense um adversário bem meia-boca. Diferente do Coritiba, mesmo vendo que o Bahia tinha deficiências na hora de armar o jogo, o Figueirense optou por continuar na defensiva e dava ao tricolor chances de sair com a bola desde sua zaga, sem forçar a marcação na saída. Ainda assim, a chance mais clara antes do gol foi dos catarinenses, numa bola cruzada da esquerda que Lomba e Paulo Miranda travaram o atacante alvinegro.
O Bahia caminhava-se para tomar uma vaia homérica no intervalo. A torcida já estava impaciente, já se ouvia algumas vaias (com as quais não concordo, durante o jogo) quando Ávine chutou errado e Reinaldo, atento para acompanhar o zagueiro e sair do impedimento, dominou e empurrou pras redes. Foi o gol do "ufa", que livrou toda torcida tricolor e os jogadores de um segundo tempo desesperador.
Com a vantagem no placar, o Bahia voltou mais tranquilo. O Figueirense teve dificuldades em sua falta de poder ofensivo, justamente contra o sistema defensivo seguríssimo do Bahia. Ao tricolor, faltava só caprichar na frente pra "matar" o jogo. O gol de Ávine, com assistência belíssima de Ricardinho, parecia dar por encerrados os trabalhos. Aí, veio o kit "fortes emoções", que é item de série em todos os jogos do Bahia. De forma inexplicável, o time passou a marcar com os olhos, a apenas esperar o apito final. Escapou de tomar o gol em um lance do tipo "hoje não passa nada". Pois bem, logo depois que acreditei nisso, Paulo Miranda furou feio e o Figueira diminuiu aos 40 minutos.
Pituaço virou fábrica de azeite doce. Todo mundo suando frio, já imaginando o pior. Aí, Nossa Senhora Tricolina desviou um chute cruzado do Figueira e, logo depois, deve ter iluminado a cabeça de Jones. Diferente de Gabriel, minutos antes, Jones não se preocupou em consagrar ou homenagear Jóbson. Foi sozinho com a bola e fez um gol no melhor estilo "vai p...". Gol do "sai zica", gol do triunfo.
O Bahia não jogou mal, considero o rendimento bem razoável, mais uma vez. A diferença é que agora ele venceu. Enfrentou um adversário na decrescente e faturou os 3 pontos. É assim que se faz. Ainda acho que falta um "cacoete vencedor" ao time. Tem um elenco bom e tem um treinador que eu gosto (apesar de sempre me contrariar, nem que seja uma vez por jogo). Ainda falta alguma coisa pra engrenar de vez, mas se for assim sempre, não vou reclamar.
Algumas observações:
Lomba está virando lugar comum. Seguro, eficiente.
Paulo Miranda falhou no gol e também tomou um nó de "video game" no segundo tempo, mas continua passando muita confiança.
Titi impressiona cada vez mais. Não perde uma por baixo, vai na garra sempre, mas sem falta. Pura precisão no desarme, está ganhando um fã (\o)
Carlos Alberto fez um primeiro tempo muito ruim. Como alegou problemas no estômago, fica mais complicado analisar. Mas ele não foi bem e a substituição por Gabriel já era imaginada no primeiro tempo.
Ricardinho jogou demais (René surpreendeu a mim, escalando-o de primeira). Primeiro, pela disposição, correu, marcou muito, desempenhou um papel de terceiro homem contemporâneo: marca e joga. E muito. No primeiro tempo foi até mais discreto, mas no segundo foi fundamental para passar tranquilidade ao time e também, para definir o placar. Prendeu a bola com maestria, mostrou aos mais afobados como se faz. Dele o passe preciso pra Ávine marcar de cabeça e dele também o lançamento "pura lucidez", de um lado a outro campo, pra Jones fazer o terceiro. (Em um momento muito tenso da partida, diga-se de passagem). Não o considerei o melhor do jogo apenas pela participação sensacional de Titi.
Ávine fez uma partida interessante. Achei que evoluiu do jogo do Vasco pra esse, assim como já tinha evoluído do jogo do Coxa. Fora que participou decisivamente nos dois primeiros gols.
Marcos: Na ausência de Jancarlos, é meu titular. Sabemos de suas deficiências, principalmente na hora de raciocinar, mas ele é dedicado e comprometido, além de muito veloz. Na posição, ele vai resolver muito melhor que Gabriel.
Marcone errou muito, inclusive na marcação, quando só olhava a bola e esquecia jogadores adversários livres. Não foi uma boa partida dele. Ele precisa ter discernimento: quando não pode nem precisa fazer falta (contra o Vasco, por exemplo) ele chega afobado e derruba o indivíduo. Quando é pra chegar decidindo (contra o Coxa, em 2010, Pituaço), ele vacila, tem receio e deixa o atacante finalizar.
Gabriel entrou bem. Reforço que ele não é meu titular ainda, falta maturidade. Achou um espaço valioso na zaga do Figueira mas ficou com receio de meter o pézinho esquerdo na bola.
Reinaldo, no primeiro tempo me incomodou muito. Achei-o sumido, omisso. Às vezes os meias pegavam na bola e ele não vinha pra frente dos zagueiros, pra receber e proteger, como alguém do porte dele pode fazer. Só que ele, sumido, fez o gol. Como muitos atacantes que conhecemos. Sendo eficiente, ótimo! No segundo tempo ele melhorou muito. Fez belas jogadas e acho que não deveria ter saído pra entrada de Jones e sim Jóbson.
Chegamos em Jóbson. Se ele anda tão preocupado com o julgamento é justo e compreensível. Mas ele não está sendo produtivo para o Bahia. Prende zagueiros, briga muito, é um terror pra defesas pela forma com prende a bola, mas sempre quer "assinar" seus lances com dribles até certo ponto irritantes. Falta objetividade e isso prejudica o time diversas vezes. Acho que ele deveria ter saído para a entrada de Jones. René manteve-o em campo. (Jóbson parece muito querido pelo técnico e jogadores mas o Bahia não pode girar em torno dele. Ontem todo mundo queria consagrar-lo, até como homenagem. O lance de Gabriel foi sintomático)
René me surpreendeu positivamente com a mudança de Fabinho no lugar de Marcos. A escalação me preocupou de início, mas o rendimento de Ricardinho justificou sua presença em campo. Ainda não vejo essa formação como a "nova ideal" para o Bahia, até porque Carlos Alberto foi mal (não sabemos o motivo exato) e o primeiro tempo bem parecido com outros que vimos do próprio Bahia. O tempo dirá.
Obs: Gostaria que a torcida do Bahia tivesse com Marcone e Ávine a mesma paciência que tem com Jóbson. Ok, Jóbson está abalado, na expectativa de uma decisão importante pra vida dele. Isso influencia qualquer cabeça e a torcida compreende. Mas por que não dar também um desconto pra quem é jogador da base, cresceu junto com o Bahia? Pra quem viveu muitas dificuldades mas sempre respeitou a torcida, sempre que ouviu vaias (algumas vezes injustas) e nunca teve a intenção de responder à torcida? Marcone e Ávine sempre entederam a torcida do Bahia. Está na hora de entendermos eles também. Porque se inflamar tanto quando os dois erram? Há quanto tempo vocês os vêem em campo? Temos que ter mais respeito por quem respeita a camisa do Bahia. São jovens, podem errar como qualquer um. Mas erram se dedicando, porque amam a mesma coisa que a torcida do Bahia ama: O clube. No dia que eu perceber esse reconhecimento por parte da torcida, será motivo de outro "aleuia". Abraço.

Cássio Melo
De Fora É Minha F.C




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